Diálogo entre Cristãos – Intercessão dos Santos

Colega não-católico:

A Bíblia ensina que o céu é um lugar sem sofrimento, dor, ansiedade e outras mazelas da natureza humana. Quem vai para lá, vai para um paraíso onde pode desfrutar da presença de Deus, dos anjos e de outros seres humanos salvos que para lá foram. A parábola do rico e do Lázaro (Lucas 16.19-31) ilustra bem que, apenas quem está no inferno se lembra de quem ficou na terra e até se preocupa com as besteiras que seus queridos continuam fazendo. Quem está no céu, no "seio de Abraão", está numa boa e sequer se comunica com a terra. Tal como um roteador IP, a memória dele está bloqueada para certos endereços, ou seja, não deve saber de nada que está acontecendo ou aconteceu na terra. Portanto, se um "santo" está no céu, como pode tomar conhecimento das tristezas, amarguras, tragédias e pedidos de oração de quem o invoca da terra ? Se o "santo" está tendo tal comunicação, então ele (ou ela) não está exatamente no céu. Claro que Deus triuno com sua onisciência e onipresença não tem esses bloqueios de endereço IP. Ele é uma exceção para isso. O mecanismo de intercessão de uma pessoa por uma outra é válido e até bíblico, mas quem estiver no céu não poderá interceder por ninguém, a não ser Deus Pai, Filho e ES.

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No “seio de Abraão” não era ainda estar no céu, cujas portas foram abertas por Jesus. Para os judeus, era o “cheol” talvez. Mas isso não é relevante, pois Deus é um deus de vivos e não de mortos.

O rico fala com quem? Abraão, um “morto” seja onde estiver. Logo, a comunicação existiu e a interpretação da não-comunicação que pretende tirar de uma simples parábola um tratado da vida após a morte torna-se falsa. Na parábola, o PEDIDO de intercessão foi negado (percebe-se a diferença?). Agora vejamos porque.

NO CONTEXTO dessa parábola, Jesus respondia aos fariseus que zombavam dele. Vamos então torná-la mais clara.

(13) Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
(14) Ora, ouviam tudo isto os fariseus, que eram avarentos, e zombavam dele.

Os fariseus vendo o que Jesus fazia e ouvindo sua pregação, zombavam dele. Jesus então, respondeu com amargor sabendo que eles jamais acreditariam nele e se salvariam:
- Nem que um morto ressuscitasse ou voltasse para falar com vocês, vocês acreditariam!
Realmente, se já não acreditavam no próprio filho de Deus encarnado ... aliás, nem quando este ressuscitar vão crer, pois não querem crer.

(31) Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.

É simples. E não é um tratado de como é a vida após a morte. Algumas indicações talvez, como a impossibilidade de alguém sair do inferno e ir para o céu ou vice-versa, mas não as afirmações pretendidas pelos irmãos não-católicos.

(26) Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá.

Ou seja, a parábola pode ser interpretada no sentido oposto ao pretendido pelos protestantes!
Se é feita alusão à comunicação ou a algum tipo de intervenção (solicitada pelo rico no inferno e negada, o pedido, por Abraão), é porque ela seria possível. Não é uma afirmação de que não é possível mas de que os vivos já têm o que é necessário para crer e um milagre ou sinal a mais ou a menos não vai resolver nada. A afirmação da parábola é que mesmo tal intervenção NÃO ADIANTA para quem NÃO QUER acreditar. Esse é o principal ensinamento da parábola. Exatamente como ocorre atualmente com as aparições de Maria Santíssima que os protestantes rejeitam a todo custo.

E que conclusão podemos tirar disso?

É interessante notar como de uma simples parábola dois cristãos de boa fé e em busca da verdade tiram interpretações totalmente opostas.
Ora, sendo isso um fato, então só pode significar que o princípio inventado por Lutero  de “sola scriptura” coluna do protestantismo é falso, pois os cristãos nunca vão chegar a um acordo se não admitirem a NECESSIDADE de uma ÚNICA autoridade infalível para interpretar as escrituras.

Pode o Espírito Santo inspirar verdades diferentes? Não.
Pode Deus ter deixado os cristãos entregues à própria sorte, caprichos e doutrinas falsas por 1500 anos? Não.

Mateus 16:
(18) E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
(não importa o que “Pedro” signifique, foi claro a respeito da igreja)

Jesus foi um mentiroso ao prometer  “estarei convosco todos os dias até o fim do mundo”? Não.

Então só pode haver uma única autoridade infalível. No fundo, é uma questão de fé e crer em Jesus. Crer em TUDO o que ele disse e prometeu:

Mateus 28:
(18)
 Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
(19) Ide, pois, e ensinai a todas as nações, batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
(20) Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.

Notem, Jesus disse “todos os dias”, não disse a partir de 1500. Acreditemos, pois, em Jesus:

Rm 10:
(11)
A Escritura diz: Todo o que nele crer não será confundido (Is 28,16).

Claudio Maria

 


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