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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 403/dezembro 1995

Reflexões

“POR MAIS UM POUCO DE TEMPO...”

(Ap6,11)

 

O fim do ano se associa à aproximação do fim de um século e do fim de um milênio. A vida no Brasil, como em outras partes do mundo, é difícil; a decadência dos costumes e a derrocada de variados sonhos suscitam em muitos insegurança e desconfiança... Esta gera a expectativa de drástica intervenção divina no mundo atual. Não faltam "profecias"...!

Outra pode ser a atitude de quem se volte mais detidamente para a Palavra de Deus. O livro do Apocalipse, no seu cap. 6, recapitula toda a história da humanidade: é marcada por guerras, fome, peste e morte... É esta a trama de séculos e séculos,... decorrente do pecado (cf. Ap 6,1-8). Ao contemplarem tal quadro, os mártires no céu, vítimas da iniqüidade, exprimem seu ardente anseio de restauração da ordem: "Até quando, Senhor, tardarás a fazer justiça contra os habitantes da terra?". Todavia esse "até quando...?" não recebe a resposta esperada; não foi revelado aos justos o termo final da história, mas foi-lhes dito que tivessem paciência "por mais um pouco de tempo, até que se completasse o número de seus companheiros e irmãos que iriam ser vítimas como eles" (Ap 6,1 Os). Isto quer dizer: através dos tempos, de geração em geração, vão-se formando os cidadãos da Jerusalém Celeste; a história correrá até que se complete o número dos habitantes da bem-aventurada Cidade.

A resposta de Ap 6,11 lembra a do patrão que pediu aos colaboradores impacientes que aguardassem o tempo oportuno para separar o joio e o trigo (Mt13,29s).

Vê-se, pois, que o anseio dos justos pelo fim da iniqüidade e a vitória definitiva do bem sobre o mal é algo que perpassa toda a história dos homens. O Senhor reconhece este valor, ou seja, a não acomodação dos seus fiéis, mas não responde como estes desejariam. Antes, em outra passagem do Apocalipse lemos a norma: "Que o justo pratique ainda a justiça e que o santo continue a se santificar", enquanto o injusto comete ainda a injustiça e o sujo continua a se sujar (Ap 22,11). Com o passar dos tempos, parece que as posições tendem a se definir cada vez mais nitidamente; se a iniqüidade é sempre mais requintada, a santidade há de ser também mais e mais esmerada.

Em suma, tal é a autêntica resposta que os justos hão de dar à inclemência dos tempos, pois na verdade aquilo de que o mundo de hoje mais precisa, é a santidade daqueles que professam a fé em Jesus Cristo. Não sem motivo. Este atribuiu aos seus discípulos a tarefa de serem sal da terra e luz do mundo: "Brilhe a vossa luz diante dos homens para que. vendo as vossas boas, glorifiquem vosso Pai que está nos céus" (Mt 5,13-16).

Seja esta a conclusão que os cristãos hão de tirar dos sinais de nossos tempos. Natal é um convite a renascer espiritualmente, e o Novo Ano um apelo a recomeçar com mais maturidade, pois é preciosa oportunidade oferecida pela graça de Deus.

E.B.


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